Coudelaria João Pedro Rodrigues - Visitas cruzadas (CV)
Pastoreio livre com acesso a sombra
Socialização de cavalos jovens
Faixas de flores não cortadas
Diversificação das atividades agrícolas
Autossuficiência em forragem
Utilização de painéis solares para o fornecimento de energia
A Coudelaria João Pedro Rodrigues, localizada em Samora Correia, Portugal, é uma empresa familiar com 100 hectares dedicada à criação de cavalos Lusitanos, combinando tradição, inovação e gestão ambiental. A coudelaria alberga cerca de 100 cavalos, incluindo cavalos de clientes e os poldros nascidos anualmente. A gestão reprodutiva passa por utilizar garanhões cuidadosamente selecionados, sémen fresco e congelado e transferência de embriões para reduzir a consanguinidade e otimizar a qualidade genética.
Os poldros são desmamados aos seis a sete meses e agrupados por idades até aos três anos, quando são transferidos para os estábulos. Todos os cavalos têm acesso à pastagem, complementada com alimentos concentrados duas vezes ao dia. A coudelaria implementa soluções inovadoras para o bem-estar animal e a sustentabilidade, incluindo a produção de feno próprio e paddocks de grandes dimensões.
A diversificação das receitas através da venda de sémen, alojamento de cavalos, aulas de equitação, turismo e produtos florestais, como a cortiça e o pinheiro, aumenta a autossuficiência e a resiliência operacional, garantindo tanto a viabilidade económica como a promoção da raça Lusitana.
Pastoreio livre com acesso a sombra

Esta coudelaria opera sob um sistema de gestão em que os cavalos Lusitanos têm acesso livre a áreas de pastagem e de floresta. Estes espaços proporcionam sombra abundante, abastecimento permanente de água, ausência de predadores e um ambiente natural onde os cavalos podem movimentar-se, pastar e interagir. Paddocks dedicados e grandes áreas abertas cercadas garantem que os cavalos tenham espaço suficiente para se movimentar e descansar confortavelmente.
Objetivo da solução
Esta abordagem considera o comportamento natural dos cavalos, proporcionando o acesso aos “3Fs”: liberdade de movimento, forragem (acesso a uma diversidade de gramíneas e outras herbáceas), “amigos” (socialização com outros cavalos) e áreas de sombra, o que contribui positivamente para o seu bem-estar e saúde geral.
Custo de implementação
A viabilidade deste sistema depende em grande parte do tamanho da exploração agrícola e da disponibilidade de terra — em particular, área de floresta e de pastagem — e da gestão desses recursos pelo produtor.
Benefícios
- Melhoria do bem-estar animal — os cavalos podem expressar comportamentos naturais (pastar, movimentar, socializar).
- Dieta diversificada — o acesso a uma mistura de plantas pratenses melhora o equilíbrio nutricional.
- Conforto térmico — áreas de sombra protegem contra o stress térmico.
- Redução do stress — a liberdade de movimento e o contacto social reduzem os problemas comportamentais.
- Menores necessidades de infraestruturas – menor confinamento significa menos estábulos.
- Redução da carga de trabalho (menor nº de boxes para limpar)
Desvantagens/Potenciais Desafios
- Dependência da terra – requer uma área significativa de floresta e de pastagem.
- Risco de lesões – terrenos irregulares ou obstáculos naturais podem causar acidentes.
- Desafios de monitorização – requer mais tempo para verificar regularmente cada animal.
- Cercas e segurança – grandes áreas precisam de cercas seguras para evitar fugas e predadores.
- Limitações sazonais – a disponibilidade de pastagem pode variar com as estações do ano.
Socialização de cavalos jovens

Esta coudelaria segue uma estratégia de gestão cuidadosa que permite o desenvolvimento social dos poldros. Os poldros Lusitanos com cerca de seis meses de idade são gradualmente introduzidos em grupos de outros poldros ligeiramente mais velhos (com menos de um ano de idade) em paddocks partilhados. Para promover uma dinâmica de grupo calma e orientar as interações sociais, uma égua mais velha e experiente é incluída no grupo, ajudando a regular e estabilizar o comportamento dos poldros.
Objetivo da solução
Esta abordagem considera o comportamento natural dos cavalos, proporcionando o acesso aos “3Fs”: liberdade de movimento, forragem (acesso a uma diversidade de gramíneas e outras herbáceas), “amigos” (socialização com outros cavalos), áreas de sombra e socialização com outros cavalos — contribuindo positivamente para o seu bem-estar e saúde geral. Além disso, ajuda a reduzir o stress do desmame dos poldros.
Benefícios
- Apoia a aprendizagem social — os poldros jovens aprendem a comunicação com outros cavalos e as hierarquias.
- Estabilidade comportamental — a égua mais velha ajuda a reduzir conflitos e stress.
- Desmame suave — transição gradual para longe da mãe com apoio social.
- Prepara para a vida em grupo — melhora a adaptabilidade para futuros ambientes em grupo ou em manada.
- Liderança natural – reflete a estrutura natural da manada, promovendo a calma e a ordem.
- Reduz o stress do desmame – o poldro é gradualmente separado da mãe e integrado num grupo de poldros familiares, facilitando a transição e minimizando a ansiedade.
Desvantagens/Potenciais desafios
- Requer uma seleção cuidadosa – a égua deve ter um temperamento calmo e tolerante.
- Risco de lesões – a socialização pode levar a brincadeiras violentas ou disputas hierárquicas.
- Gestão mais complexa – o agrupamento deve ser ajustado de acordo com a idade e o temperamento.
- Requisitos de espaço – é necessário espaço suficiente no paddock para evitar a sobrelotação.
- Monitorização necessária – a deteção precoce de bullying ou stress é crucial.
Faixas de flores não cortadas

Esta exploração mantém extensas áreas de vegetação não cortada, rica em biodiversidade e abundante em espécies de plantas com flores. Esta abordagem apoia o equilíbrio ecológico dentro da exploração.
Objetivo da solução
Esta prática ajuda a promover a biodiversidade na exploração agrícola, proporcionando habitat e fontes de alimento para polinizadores, insetos e outros animais selvagens benéficos. Contribui para a saúde do solo, melhorando a sua estrutura, reduzindo a erosão e apoiando os ciclos naturais de nutrientes. Quando acessíveis, estas áreas oferecem um ambiente mais natural e enriquecido que pode incentivar o comportamento exploratório e a auto-seleção ocasional de ervas ou plantas espontâneas com potenciais benefícios para a saúde.
Benefícios
- Aumenta a biodiversidade – atrai polinizadores, insetos, pássaros e outros animais selvagens.
- Proteção do solo – os sistemas radiculares ajudam a estabilizar o solo e a reter a humidade.
- Resiliência climática – a vegetação não cortada pode proteger contra a seca e o calor.
- Baixa manutenção – menos sessões de corte reduzem o uso de combustível e os custos com maquinaria.
- Imagem positiva – alinha-se com práticas agrícolas ecológicas e positivas para a natureza.
- Faixas de gramíneas e plantas com flores promovem o controlo natural de pragas, reduzindo a necessidade de tratamentos químicos na exploração agrícola.
Desvantagens/Potenciais desafios
- Potencial propagação de infestantes – espécies invasivas podem proliferar se não forem monitorizadas.
- Risco de incêndio – em estações secas, a vegetação alta pode representar um risco de incêndio.
- Presença de carraças e plantas tóxicas – estas áreas podem abrigar parasitas ou plantas prejudiciais aos animais.
- Redução da disponibilidade de pastagens – se não forem bem planeadas, estas faixas podem limitar o acesso às áreas de pastagem ou afetar a qualidade e a quantidade de forragem disponível.
Diversificação das atividades agrícolas

Esta coudelaria aplica uma diversificação estratégica de atividades para além da criação de cavalos Lusitanos. A importância de desenvolver múltiplas fontes de rendimento foi destacada como um fator-chave para garantir a resiliência e a eficiência do sistema global. Além da criação de cavalos, a coudelaria inclui serviços de alojamento, turismo equestre, aulas de equitação, venda de sémen, venda de cavalos e produção e venda de produtos agroflorestais, como cortiça e pinheiro.
Objetivo da solução
A diversificação das atividades agrícolas é uma estratégia eficaz para reduzir o risco económico e melhorar a resiliência. Ao combinar operações essenciais, como a criação de animais, com serviços complementares, como turismo, alojamento, treino ou venda de produtos relacionados (por exemplo, produtos agroflorestais ou material genético), as explorações agrícolas podem criar múltiplas fontes de rendimento. Isto não só permite uma melhor utilização dos recursos existentes, como também ajuda a equilibrar as flutuações sazonais e as incertezas do mercado, contribuindo para um sistema agrícola mais sustentável e eficiente.
Benefícios
- Resiliência económica — múltiplas fontes de rendimento reduzem a dependência de um único mercado.
- Utilização eficiente dos recursos — a terra, as instalações e a mão de obra podem desempenhar várias funções.
- Redução de riscos — amortece as recessões sazonais ou específicas do setor.
- Maior visibilidade – o turismo e os serviços atraem um público mais amplo e potenciais clientes.
- Criação de empregos – mais atividades podem gerar oportunidades de emprego locais.
- Maior sustentabilidade – a integração de práticas agroflorestais ou circulares apoia os objetivos ambientais.
Desvantagens/potenciais desafios
- Maior complexidade – a gestão de atividades diversas requer competências e coordenação mais amplas.
- Maior investimento inicial – novos serviços podem exigir infraestruturas, formação ou certificações.
- Maior ocupação de tempo e de mão de obra – a diversificação pode sobrecarregar os recursos humanos limitados.
Autossuficiência em forragem

Esta coudelaria implementa práticas de autossuficiência em forragem, produzindo o seu próprio feno ao longo do ano, com a utilização de 40 hectares de pastagens irrigadas. Esta estratégia elimina a necessidade de comprar forragem externa, sendo apenas comprada uma pequena quantidade de alimentos concentrados (cerca de 2 kg/dia por animal) para complementar a dieta dos cavalos.
Objetivo da solução
Produzir a sua própria forragem aumenta a independência em relação aos mercados voláteis e a fornecedores externos. Permite um maior controlo sobre a qualidade da forragem, otimiza a utilização da terra disponível e garante um abastecimento constante durante todo o ano para os animais. Em tempos de flutuações de preços ou interrupções no abastecimento, a autossuficiência reforça a resiliência económica e apoia um sistema mais circular e eficiente em termos de recursos. Também promove a utilização de uma cadeia de abastecimento curta, ajudando a reduzir o impacto ambiental da exploração.
Benefícios
- Economia de custos – reduz as despesas relacionadas com a compra e o transporte de feno.
- Segurança do abastecimento – garante a disponibilidade constante de forragem, mesmo em períodos de escassez.
- Utilização eficiente da terra – transforma a terra disponível num recurso produtivo e autossustentável.
- Benefícios ambientais – a redução do transporte e da embalagem significa uma menor pegada de carbono da exploração agrícola.
Desvantagens/potenciais desafios
- Necessidade de terra – requer uma área significativa, especialmente devido à elevada necessidade de forragem por parte dos cavalos.
- Dependência do clima – a variabilidade climática e sazonal pode afetar os rendimentos e a qualidade do armazenamento.
- Mão de obra e equipamento – a colheita e o armazenamento do feno exigem tempo, maquinaria e conhecimentos técnicos.
- Necessidades de armazenamento – o feno deve ser devidamente seco e armazenado para evitar a deterioração ou o risco de incêndio.
- Consumo de água – os sistemas de irrigação podem suscitar preocupações em termos de sustentabilidade ou custos em algumas regiões.
Utilização de painéis solares para o fornecimento de energia

Esta coudelaria implementou um sistema de bombas de água que funcionam a energia solar, juntamente com o uso mais amplo de painéis solares para fornecer eletricidade a toda a propriedade. A energia solar é usada não só para alimentar a coudelaria, mas também para operar iluminação LED e irrigar as pastagens, ao mesmo tempo que satisfaz as necessidades de água potável dos cavalos. Ao instalar painéis solares em toda a propriedade, a coudelaria reduziu significativamente os seus custos de energia.
Objetivo da solução
A utilização de energia solar para alimentar as operações da exploração reduz a dependência de combustíveis fósseis e diminui os custos energéticos. Garante um abastecimento de água fiável tanto para irrigação como para hidratação dos animais, o que é especialmente útil em áreas remotas. Esta abordagem também apoia a sustentabilidade ambiental, reduzindo a pegada de carbono da coudelaria e aumentando a independência energética.
Custo de implementação
Instalação fotovoltaica num telhado existente: um sistema com um pico de potência de 36 kW pode custar cerca de 45 000 €. O custo dependerá do tamanho, da qualidade do equipamento e das condições de instalação.
Sistemas de irrigação por pivô central movidos a energia solar (para 40 ha): O custo combinado estimado de um sistema de irrigação por pivô central, bomba de água e painéis solares varia entre 60 000 € e 80 000 €. Isso depende de fatores como o terreno, a profundidade da fonte de água, a capacidade do sistema e a extensão da infraestrutura necessária.
Em ambos os casos, subsídios da UE ou nacionais podem ajudar a reduzir os custos iniciais.
Benefícios
- Poupança energética e financeira – redução significativa nas contas de eletricidade ou combustível.
- Sustentabilidade – reduz as emissões de gases com efeito de estufa e apoia a utilização de energias renováveis.
- Autonomia – fornece acesso a eletricidade e água em áreas rurais ou fora da rede, sem abastecimento externo.
Desvantagens/potenciais desafios
- Alto investimento inicial – requer custos iniciais para painéis solares, bombas e infraestrutura.
- Dependência das condições meteorológicas – a eficiência pode diminuir em dias nublados ou em regiões com pouca luz solar.
- Manutenção – os painéis solares e as bombas requerem limpeza periódica e manutenção técnica.